Pinacoteca do Estado
Cinco mostras na Pinacoteca do Estado de São Paulo cobrem desde o período colonial até o contemporâneo, com imagens de santas e ensaios fotográficos
Cinco exposições importantes fazem da Pinacoteca do Estado de São Paulo um endereço cultural de visita quase obrigatória neste mês. Com curadoria de Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, Sant''Ana - Coleção Angela Gutierrez revela parte do acervo pessoal da empresária que há pelo menos três décadas pesquisa o barroco brasileiro, além de integrar o Conselho Consultivo do IPHAN e presidir o Instituto Cultural Flávio Gutierrez, de Belo Horizonte. As 200 imagens da mãe da Virgem Maria percorrem um extenso período da iconografia católica do país, do século 17 ao 19, traduzindo as diversas histórias, entre lendas, mitos e fatos, que cercam a imagem da santa desde o Brasil colonial e imperial até o auge das manifestações barrocas em Minas Gerais. Sant''Ana é sempre retratada como uma mulher madura, serena, carregando a Virgem no colo ou guiando-a pelas mãos. Fotografias e textos que contextualizam a coleção estão ainda reunidos na publicação O Livro de Sant''Ana - Coleção Angela Gutierrez (192 págs., R$ 160).
Outra mostra importante aberta na Pinacoteca é Vistas do Brasil - Coleção Brasiliana. A exposição reúne 25 peças, entre pinturas, aquarelas e gravuras, produzidas no século 19 por artistas estrangeiros que vinham ao país com a missão de registrar a nova terra, como Debret, Rugendas e Taunay, e artistas brasileiros mais acadêmicos, como Porto Alegre e Agostinho José da Motta. Com exceção de cinco obras, da coleção de José Mindlin, todas as outras pertencem à Fundação Estudar que, com esta iniciativa, inicia uma parceria com o Estado para um longo ciclo de mostras em torno da arte do século 19, justamente o período sem grande representatividade no acervo da Pinacoteca. Com curadoria de Carlos Martins e Valéria Piccoli, Vistas do Brasil traz, por exemplo, uma panorâmica do Rio de Janeiro com três metros de extensão, feita por Benjamin Mary. Outro destaque é justamente o papel de parede que dá nome à mostra. Com 15 metros de comprimento, a peça foi produzida pela manufatura Zuber, em 1830, por meio de gravuras de Rugendas.
A programação da Pinacoteca do Estado de São Paulo complementa-se com Martin Chambi - Poeta da Luz - Série Ouro, um conjunto com 50 fotos de um dos grandes nomes da fotografia contemporânea, reveladas em um processo chamado "ouro velho"; Olhares Cruzados - Cristiano Mascaro Vê Berlim, Sibylle Bergemman Vê São Paulo, com 40 imagens tiradas por Mascaro em Berlim, em maio do ano passado, e outras 40 tiradas pela berlinense Bergemman em maio de 2001; e Hermes & Afrodite, um ensaio em preto e branco com 27 fotos de Ana Nitzan.
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