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"O meio geográfico em via de constituição (ou de reconstituição) tem uma substância científico-tecnológico-informacional"

Não é um meio natural, nem meio técnico. A ciência, a tecnologia e a informação estão na base mesma de todas as formas de utilização e funcionamento do espaço, da mesma forma que participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais). (...) Atualmente, apesar de uma difusão mais rápida e mais extensa do que nas épocas precedentes, as novas variáveis não se distribuem de maneira uniforme na escala do planeta. A geografia assim recriada é, ainda, desigualitária." (SANTOS, Milton, Técnica, Espaço e Tempo, p. 51, grifo nosso)

a) Considerando que a ciência, a tecnologia e a informação estão na base do funcionamento do espaço, cite dois países que podem ser considerados centros hegemônicos da economia mundial. Justifique suas escolhas.

b) Como a África sub-saariana se situa em relação ao espaço geográfico mundializado? Qual a razão dessa situação?

Além de abordar as transformações que vêm ocorrendo no espaço geográfico mundial nos últimos tempos, esta questão demonstra a mudança pela qual a própria ciência geográfica teve que passar para compreender processos como a internacionalização e a globalização.

A maior parte dos geógrafos se propõe a estudar a sociedade através de suas manifestações no espaço. Estudamos o espaço geográfico. Tal objeto de estudo tem grande influência da noção de espaço relativo, vinda da física, segundo a qual, o espaço não preexiste às coisas que nele existem (o que seria a concepção de espaço relativo). O espaço não seria apenas um intervalo na escala das distâncias onde se localizariam as coisas existentes. Ao contrário, o espaço relativo depende, para existir, das relações entre as coisas que nele existem. Neste caso, os objetos (humanos e naturais) não estão no espaço, eles são o espaço.

Com tal idéia, perdem força na geografia a descrição das paisagens e a "decoreba". O que importa é analisar as relações entre os homens, os fenômenos naturais, os lugares, as redes de comunicação e transporte etc.

Como coloca Milton Santos no texto acima, o meio geográfico em via de constituição não é natural, ele tem uma substância científico-tecnológico-informacional. Ou seja, o que importa para este autor no estudo da geografia é analisar as relações entre o poder político e econômico e a produção de um meio geográfico formado por redes de informação, com alta tecnologia e grandes investimentos em pesquisa científica.

A primeira conclusão deste raciocínio é que enquanto há alguns séculos o meio geográfico (quase natural) influenciava e muito a possibilidade de um grupo social ter ou não poder político e econômico, hoje o meio geográfico com sua nova substância é produzido de acordo com os desígnios das nações mais poderosas, beneficiando-as cada vez mais.

A segunda constatação é que o "situar-se" é relativo no mundo da globalização. Como vimos acima, se quisermos compreender um pouco da sociedade através do espaço que ela produz, o que importa não é a descrição deste espaço, assim como não é a latitude ou a longitude de um lugar que nos mostram como tal lugar se relaciona com os demais. Ou seja, não é através das coordenadas geográficas que poderemos saber como a África sub-saariana se situa em relação ao espaço geográfico mundializado.



 
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