500 anos de exploração
Primeiro eu gostaria de mencionar a suposta descoberta do Brasil:
Se em 1494 havia sido assinado o Tratado de Tordesilhas (tratado este assinado pelos reis de Portugal e Espanha para repartir as terras descobertas) como só apenas em 1500 Portugal afirma ter descoberto o Brasil?
A expansão comercial e marítima na Europa visava a busca de novas riquezas para abastecer o sistema mercantilista que estava em crise. De modo que a posse de novas terras saturadas de matéria-prima era imprescindível. Ou seja, mesmo que os portugueses não tivessem certeza da existência dessas terras, eles pelo menos desconfiavam. Além desses fatos ainda há o do conhecimento que os portugueses tinham dos mares.
Mas vamos ao que interessa. Esse ano o Brasil “comemorou” os 500 anos de “descobrimento” (na verdade de posse). Para não alongar muito esta matéria, não irei tratar do fiasco da caravela construída e superfaturada, diga-se de passagem, para as festividades.
O Brasil é um país de milhões de miseráveis (aqueles que não tem onde morar, ou até o que comer), o índice de desemprego sobe sem controle, os serviços sociais, tais como: saúde, moradia, segurança etc. não são tratados com a devida importância, conseqüentemente o Brasil ainda é um país subdesenvolvido.
Mas esses problemas ainda derivam do processo histórico de colonização brasileira. Os portugueses vieram aqui, dizimaram a cultura indígena, bem como a população, devastaram nossas riquezas minerais, vegetais e animais e quando não tinham mais como explorar, desistiram e cederam (de forma complicada é lógico, mas cederam) a independência.
Aí vem um político, estudado, consciente desse processo e lança cédulas comemorativas aos 500 anos de Brasil. Até aí tudo bem, mas daí estampar o rosto de Pedro Álvares Cabral na parte frontal da nota, é demagogia. Tínhamos que ter orgulho de nossas riquezas culturais. O Brasil é um país com pura miscigenação racial, musical, literal etc. Tínhamos que colocar qualquer elemento que representasse bem isso, mas não, colocam a foto de um explorador inescrupuloso para fazer média com os portugueses. Porque, tenha orgulho quem quiser, eu nunca terei desse sórdido devastamento de valores culturais.
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