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Situação crítica do ensino no Estado de São Paulo
Maria Rehder - Estadão (11/02/2007)
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A qualidade da educação básica no Estado de São Paulo piorou nos últimos 10 anos. É o que mostra o balanço do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2005 em relação ao de 1995, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC) em Brasília. A média do Saeb - cuja a nota máxima é 500 pontos - dos estudantes de 8ª série em língua portuguesa caiu de 269,79, em 1995, para 237,36 em 2005. Já o desempenho das 4ª séries declinou da média 196,19, obtida em 1995, para 183,72, em 2005.

Isso mostra que os alunos já chegam ao 2º ciclo do Ensino Fundamental sem ao menos saber interpretar uma notícia de jornal. E, pior, em alguns casos terminam o Ensino Médio sem ter sanado essas mesmas dificuldades. O balanço do Saeb também mostra declínio no desempenho dos alunos do 3º ano do Ensino Médio em língua portuguesa : a média 305,26 obtida em 1995, caiu para 261,34. O desempenho dos paulistas em matemática também foi desanimador. No entanto, a média de São Paulo, mesmo com declínio de 1995 a 2005, ficou acima da média nacional em todas as séries avaliadas em 2005 (veja quadro ao lado).

Segundo Guiomar Namo de Mello, consultora em Educação, os números do Saeb mostram que o sistema educacional adotado nas escolas públicas não tem dado certo. “São Paulo não está diferente do restante do País, pois a média nacional do Saeb também caiu nos últimos anos. Se os números mostram declínio de desempenho das escolas em São Paulo, e os professores reclamam desse sistema de progressão continuada adotado no Estado, talvez seja hora de pensar em mudanças.”

Guiomar diz que a escola pública não estava preparada para atender à demanda da universalização da educação básica. “Alunos de classes mais baixas, que não tinham acesso à escola, têm a mesma capacidade de aprender dos que já estudavam, mas chegam com menos repertório. As escolas têm de se preparar para lidar com isso.”

Para Fátima Solange Riego Lavorente, professora da Escola Estadual Paul Hugon, Zona Norte, a adoção da progressão continuada pode ter contribuído para a queda do desempenho dos alunos. “Na minha escola, a progressão continuada funciona, porque somos criteriosos ao aprovar os alunos. Mas se outras escolas não adotarem a mesma postura, muitos alunos podem ser aprovados sem ter as competências necessárias”, avalia.

Já Regina Martins, professora da 2ª série da Emef Coronel Tenório de Brito, Zona Sul, o desempenho ruim dos alunos paulistas pode ser efeito da ênfase à alfabetização. “Além de alfabetizar é preciso sistematizar os conteúdos de português e matemática nas séries iniciais. Os alunos têm de ter noção do que é substantivo ou pronome. Não digo saber o que cada um significa, mas saber que eles existem. Não é à toa que alunos prestam vestibular sem ao menos saber o que é pronome.”

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